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Chinese Institute
Na estréia do nosso quadro de entrevistados (Hall Of Fame), Entrevista Especial com Mestre Florentino
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Hall Of Fame
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Chinese Institute) - Sifu Florentino sabemos que você além de grande Mestre em Wing Chun Kung Fu, também já foi praticante de outras modalidades marciais. Qual a sua relação com tais estilos e como ocorreu sua transição para o sistema Wing Chun? O que te motivou ingressar em tal pratica? Mestre Florentino) - Como todo garoto de minha época, minha motivação para ingressar no Kung Fu veio dos filmes de artes marciais, principalmente os exibidos pela “Poltrona R” – Interessante que, todos os filmes eram exibidos com o nome de “Bruce Lee” e mais alguma coisa que envolvesse a palavra “dragão”, mesmo tendo Bruce feito somente 05, rs. A partir daí, me tornei fã incondicional do pequeno dragão e sua arte, o que me levou a iniciar no Kung Fu em meados da década de 70. Não existia Wing Chun no Brasil naquela época, o que me levou a ter que aguardar alguns anos até que a nobre arte chegasse por aqui, e até isso acontecer, fui treinando os estilos que tinha mesmo, o que não eram lá estas coisas! Chinese Institute) - Como discípulo do grandioso mestre Li Hon Ki, sendo este, um renomado e prestigiado mestre chinês, cujo conhecimento intelectual vai muito além dos conhecimentos marciais que possui em diferentes estilos de kung fu, tais como: Hung Gar, Tai Chi Chuan, Wing Chun bem como de outras modalidades marciais; o mesmo é detentor de um puro e autentico conhecimento da medicina tradicional chinesa. Fale-nos um pouco sobre o grandioso mestre Li Hon Ki, bem como sua vivencia de longos anos, ao seu lado como discípulo? Mestre Florentino) - Creio que, para falar desta convivência, necessitaria um livro somente para este fim, dado aos inúmeros fatos interessantes que presenciei, principalmente ao longo dos anos de meu aprendizado, entretanto, há um que acho interessante para este momento, e que vem de encontro ao tema desta entrevista. Certa vez perguntei a meu Sifu Li Hon Ki (Kay) o que o levou depois de tantos anos no sistema Wing Chun, à praticar outra linhagem, e ele me respondeu que na verdade, foi a linhagem que chegou até ele pois, após ter treinado mais de vinte anos, e com quatro mestres diferentes, alem do próprio Yip Man, nada mais dentro da arte o surpreenderia, quando, de sua viajem aos EUA foi apresentado casualmente por seu irmão ao mestre Duncan Leung. O mais interessante neste fato, segundo mestre Kay, e que ele não estava interessado em ver o conteúdo técnico deste novo mestre, mas sim, mostrar para ele, o quanto o seu próprio Wing Chun era bom. Resultado: Apanhou no Chi-Sau e apanhou na técnica de luta! Assim, o que para muitos poderia parecer uma experiência vergonhosa para ser ocultado, ele a conta com orgulho, de como, aos 45 anos de idade, teve de partir do zero novamente dentro de uma arte a qual já era reconhecido internacionalmente como mestre. Demonstração de humildade que somente um genuíno mestre poderia apresentar. Chinese Institute) - Na sua vivência kung fu, como você define um discípulo? Mestre Florentino) - Muito simples! Discípulo é quem segue e faz o que o mestre faz, assim, discípulo é todo aquele que, com a autorização do mestre, está a lecionar os ensinamentos que aprendeu. As pessoas confundem muito discipulado com “Bai-Si”. Este, muito mais profundo, não tem ligação direta com o ensino. Meu mestre me explicou que Bai-Si é um pacto feito entre o mestre e o aprendiz. Daquele dia em diante, passam a ser como pai e filho consangüíneos. Recordo-me como hoje de suas palavras: “Fazer Bai-Si significa que, se alguém apontar uma arma para seu mestre, você deverá estar preparado para entrar na frente da bala e por sua própria vida em risco para salvá-lo”. Infelizmente, Bai-Si tem sido completamente banalizado hoje em dia, vindo a ser confundido com o termo “tornar-se discípulo”. Todo mundo faz Bai-Si sem se ter a menor idéia do real significado ancestral desta cerimônia, e importância trazida à vida destas duas pessoas. Chinese Institute) - Sifu Florentino, quando de sua viagem para a China ocorrida em 2009, vocês passaram por intensos treinamentos, sob a rigorosa supervisão do Grão Mestre Duncan Leung; o que você poderia relatar a respeito dessa imensurável experiência na China? Mestre Florentino) - Já ouviu aquela expressão “sangue, suor e lágrimas”? Pois é... Ser treinado por mestre Duncan Leung significa exatamente isso, no sentido literal das palavras. Suei, e muito! Treinar em período de tempo integral, tendo Tai Boxers profissionais te atacando com equipamentos como se você fosse um tapete pendurado que se bate para tirar o pó não é fácil. Sangrei ao ser lesionado em meu treino no equipamento de pneus, e chorei ao saber que era hora de voltar. Por mais incrível que pareça... Sinto falta daqueles dias de sofrimento. Chinese Institute) - Dentre as muitas coisas que você vivenciou na China, muitas destas coisas registradas em mídia digital, que acabou por se tornar em uma grande obra jornalística de sua autoria, tem algum detalhe que você gostaria de relatar, que ocasionalmente não foi incluso no vídeo Por exemplo: curiosidades e/ou fatos sobre a vida do grande patriarca Ip Man? Uma vez que você passou um tempo relativamente satisfatório ao lado de dois de seus nobres discípulos (Duncan Leung e Alan Lee). Mestre Florentino) - Sim. Há vários fatos, só que, como eu os apresento em meu livro (que já esta na editora e em breve será lançado) não quero estragar a curiosidade, porem, uma ocorrência cultural interessante, na qual me envolvi, e que não tem relação direta com os mestres citados, mas que foi um tanto cômica, apesar de ter me causado grande pânico no momento, foi quando, no curso das filmagens do DVD Treinamento e Viagem Cultural a China (disponível no Youtube), estava eu a filmar sob a placa da cidade de Foshan, registrando minha chegada naquela cidade quando, do nada apareceram umas cinco viaturas policias. Agora imaginem vocês... Sul da China... Por mais incrível que pareça, nenhuma criatura viva naquele área deste imenso planeta falava inglês! Simplesmente, impossível de se acreditar. E o pior de tudo, nem o mandarim deles é lá essas coisas – fica a dica: se desejas conhecer a cidade-berço do Wing Chun, comece a estudar o dialeto cantonês – Resumo, se não fosse pelo mestre Duncan, acho que estaria preso lá até hoje. O fato é que, os chineses não permitem reportagem não autorizada, ou seja, eles acharam que eu era um jornalista, sendo que, o governo chinês só permite mostrar ao ocidente o que eles querem e não o que se vê realmente nas ruas. Por isso, a importância neste documentário que fiz é imensa, pois, na maioria das vezes, filmei as escondidas, me arriscando vir a ser prezo novamente. Chinese Institute) - Você permaneceu por um período no exterior, mas especificamente em países europeus; nesse tempo em que você esteve por lá, você teve contato com outras famílias Wing Chun, ou mesmo de sua família Applied Wing Chun? Qual sua relação interpessoal com mestres e praticantes das mais variadas modalidades marciais e em particular o sistema Wing Chun? Mestre Florentino) - Por gostar de viajar, certa época de minha vida decidi conhecer a Europa, e lá, os países são muitos próximos, é possível se conhecer três países em três dias, viajando de trem. Há países que se pode atravessar por inteiro de carro em apenas 04 horas. Realmente, conheci lugares lindos, e obviamente, pratiquei o Wing Chun de minha linhagem, pois, mestre Duncan tem vários aprendizes na Europa, principalmente na Suíça. Também visitei outras linhagens por lá, principalmente as de Leung Ting. Ele foi um grande divulgador do sistema por lá. Uma pena ter se envolvido em tantas polêmicas. Com referencia às demais modalidades marciais, nunca tive problemas em relacionamento. Sempre fui muito respeitador, e penso que não é a modalidade que eleva o nome de um praticante, mas sim, o respeito que mesmo conquistou através de sua postura e atitudes. Já no que se refere ao Wing Chun, a única coisa que me incomoda, são aquelas pessoas com pouca qualificação, e que mal chegaram a concluir o Chum Kiu e se postam a ensinar como mestres do sistema, apresentando um Wing Chun sem identidade genealógica, confundindo a cabeça de muitos no que se refere aos verdadeiros conceitos filosóficos e marciais desta tão nobre arte. Chinese Institute) - Como reconhecer um autêntico Mestre de Wing Chun, em meio a tantas linhagens e organizações que surgem espontaneamente no Brasil? Mestre Florentino) - O genuíno e autentico mestre é perspicaz com as palavras. Nunca altera o tom e nada esconde, não é esnobe ou soberbo, mas sim, extremamente humilde, não fica procurando confusão com terceiros e sabe respeitar seus subordinados. Jamais cultiva inimigos e sabe perdoar quando sente a humildade nas palavras de quem solicita o perdão. Ser mestre não significa ter somente maestria na arte, mas também, saber liderar. Um autêntico mestre é um exemplo vivo a ser admirado e seguido por todos, e no Wing Chun, alem de todos estes atributos, tem que ter “mente aberta”, ajudando o aluno e encontrar seu caminho, mesmo que este caminho não esteja em sua própria escola. Não há outra maneira de se saber o sabor de um chá. Tem-se que experimentá-lo! – Se você quer treinar sob a tutela de um autêntico mestre, tem que sair na jornada pesquisando e experimentando, até encontrá-lo. Chinese Institute) - Fale-nos sobre seu livro, que em breve será lançado no Brasil, cujo título abrange justamente o tema aqui abordado. Mestre Florentino) - O que significa ser mestre em Wing Chun fala dos aspectos técnicos e culturais vividos por grandes mestres desta arte. Apresenta de forma envolvente, fatos verídicos pesquisados e preservados na identidade dos ancestrais do sistema, desde Leung Jan até nossos dias. Revela momentos trágicos na vida do patriarca Yip Man e corrige vários fatos inverídicos apresentados em seus filmes... Creio que agradará ao leitor que deseja se aprofundar no conhecimento cultural e histórico do sistema Wing Chun. Chinese Institute) - Que mensagem você deixaria para os aficionados pelo sistema Wing Chun? Mestre Florentino) - Que pesquisem as muitas linhagens para que não percam vários anos praticando um sistema que não atenderá às suas necessidades... Que não sejam “mente fechada”, achando que, devido a um professor fazer uma sequencia rápida no Muk Jong ele pode ser imbatível numa luta (mesmo sem nunca tê-lo visto lutar). Que desenvolvam a “crítica” e aprendam a questionar cada movimento que lhes forem ensinados, e que analisem com senso lógico se a resposta faz sentido. E que testem em luta real, seja nos rings ou em sparrigs contra lutadores de verdade, para que tenham a certeza de que o Wing Chun que estão aprendendo não os deixará decepcionado no dia em que realmente precisarem dele! Contatos com mestre Florentino podem ser feito pelo site:
www.florentino.awcb.com.br Chinese Institute "A Maior Revolução em Artes Marciais" - "Defesa Pessoal, Filosofia e Cultura ".
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